quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Capítulo 2

Aquela ligação não me deixou nervosa em si. Aliás, recebo sempre várias ligações como aquela. E o que sinto quando as recebo é apreensão. Pois já ouvi diversas histórias acerca do que meu chefe pode fazer com seus subordinados quando o resultado de um minucioso plano dele cai por terra.
Para exemplificar bem, uma vez um subordinado dele, chamado Ricardo, falou demais. E meu chefe não curte quem fala demais. Principalmente quem questiona ou afronta sua autoridade. Ricardo fez isso. Meu chefe arrancou a língua dele apenas com uma das mãos. Nunca me esquecerei dos urros de dor do cara. O sangue todo vazando pela boca. E não satisfeito, o chefe arrancou, também com as mãos, o maxilar dele. Foi medonho: socou a mão dentro da boca e deu um puxão só. O barulho dos músculos e dos ossos se rompendo deixou até o empregado mais forte de estômago revirado.
Os gritos... Um misto de grito humano, com o rosnado de um leão. Talvez um silvo de uma serpente soando bem baixo também. Vindos do próprio inferno.
Então, precisava ter um plano infalível na minha mente. E seria simples, na realidade. Homens são simples e só pensam em uma coisa: sexo! Era só chamar o cara pra dar uma, mas não deixar claro que ele vai dar uma. Eles ficam loucos.
Peguei o celular novamente. Telefonei para meu alvo. O nome dele era Danilo Mansur. Presidente de uma multinacional de importação e exportação que vem arrecadando vários recursos nos últimos dois anos, Danilo Mansur era o novo queridinho do império financeiro da Avenida Paulista. E do chefe também. Acabamos nos conhecendo em um evento para levantar fundos sociais. Claro que minha presença lá não foi inocente. Sabíamos que ele estaria lá. E usei alguns de meus subterfúgios para conseguir conversar e depois pegar o número do telefone. E desde então estávamos trocando mensagens. Eu fingia ser uma moça interessada. Ele não se importava em demonstrar abertamente seu interesse.
Enquanto divagava nesses pensamentos, o telefone continuou chamando, até cair na caixa postal. Danilo não atendeu. Decidi ir até o quarto novamente e escolher um traje para o encontro. Passei por várias peças de roupa até chegar em um vestido vermelho. Possuia decotes interessantes, sem parecerem vulgares. Mostrava o colo e ficava acima dos joelhos. Perfeito para uma noite quente de um louco não premeditado projeto de verão paulistano. E perfeito para a sedução.
O telefone vibrou uma vez. Era uma mensagem do Danilo. Abri a nossa conversa e em seguida comecei a me comunicar com ele.

HOJE

Danilo Mansur: Oi gatona, tudo bem? Me ligou?
Aline: Oi bonitão, tudo sim. Liguei!
Danilo Mansur: Quer saber se nosso encontro está de pé no sábado?
Aline: Não exatamente, tive uma ideia diferente!
Danilo Mansur: Sou todo ouvidos... Ou olhos, no caso, hahahaha
Aline: hahahaha
Aline: Perfeito! Estava pensando... Vamos adiantar nosso encontro?
Danilo Mansur: Sim, é uma ideia interessante! Pra quando?
Aline: Hoje a noite!
Danilo Mansur: Hahaha, nossa... Bom, podemos ver sim! Tenho uma reunião hoje às 17h com alguns investidores importantes. Acredito que vai demorar um pouco. Tem problema em esperar?
Aline: Se quiser, posso passar de carro e te pegar próximo à sua empresa.
Danilo Mansur: Bom, isso é ótimo! Eu aceito sim, daí vamos para outro lugar, hehe
Aline: Pode deixar que eu cuido disso! :D
Danilo Mansur: Haha, ok! Isso é cara de mulher mandona, hein! Rsrs
Aline: Você ainda não viu nada, querido
Danilo Mansur: Pois é! E vou chegar a ver alguma coisa então? Hahahaha
Aline: Se você se comportar, quem sabe...
Danilo Mansur: O que eu você vai fazer se eu me comportar?
Aline: Melhor fazer do que falar, não é?
Danilo Mansur: Sim, lógico! Mas quero que você me diga agora!
Aline: Vixe, isso tá com cara de homem mandão, hein!
Danilo Mansur: Hahaha, pois é. Não é a toa que comando essa empresa enorme!
Aline: Quem sabe mais tarde então você não mostra todos os seus enormes dotes?
Danilo Mansur: Hahahahahua, nossa, eu acho que fiquei vermelho aqui!
Aline: Que bom! A ideia é essa! De preferência bem vermelho (6)
Danilo Mansur: Perfeito! E depois?
Aline: Depois? Bem... Depois eu vou brincar com você, te dar umas mordidas... de leve!
Danilo Mansur: Mal posso esperar!
Aline: Nem eu ;D
Danilo Mansur: Beleza, mas não falamos o mais importante: horário e local!
Aline: Verdade! Me espere em frente ao Conjunto Nacional, às 20h. Não se atrase e terá uma recompensa.
Danilo Mansur: Estarei lá antes mesmo das 20h.
Aline: Ok, passarei com o carro. Fica atento!
Danilo Mansur: Pode deixar! Minha secretária está me chamando. Tenho um problema pra resolver aqui. Então, combinado! Vou correr agora.
Aline: Certo! Até de noite.
Danilo Mansur: Até!
Aline: Beijos :*

Estava satisfeita com o andamento da conversa. O sexo masculino é mesmo muito idiota. E não importa o tipo de animal: homens, cães e vampiros parecem pensar somente com a cabeça de baixo.
Depois de escolher sapatos e acessórios que ornassem com minha roupa, fui ao banheiro, enchi a banheira com água quente, joguei sais de banho e deixei o motor fazer o resto. Precisava de um bom momento de relaxamento. A noite ia ser longa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário