O homem se assustou ao acordar e me ver em pé na frente dele. Tentou se levantar, mas a firmeza das cordas o impediu.
Ele continuou a forçar e forçar. Debatia-se, tentando por toda a lei se livrar do aperto, até que não aguentou mais e desistiu, respirando com dificuldade.
- Quem é você?! - questionou assustado. A voz dele era rouca.
Não respondi.
- O que você quer? Como… Mas o quê…?
Fui andando lentamente na direção dele. Ele não conseguia tirar os olhos de mim. Os cabelos e o robe ondulavam, quase como se eu flutuasse no ar.
- Vamos nos divertir? Você está muito estressado, Júlio!
O homem arregalou os olhos.
- Você sabe meu nome… - olhou ao redor. Viu suas coisas apoiadas na bancada. - Me solte agora! O que você quer comigo? - e tentou se soltar novamente. Ele empregava tamanha força que balançaria a mesa de metal se ela não estivesse parafusada no chão. Felizmente eu havia tomado algumas precauções para que isso não acontecesse.
Fui a uma outra bancada próxima e desenrolei uma bolsa de couro. Dentro, havia alguns instrumentos prateados. Estava de costas para ele, que me seguia o tempo todo com os olhos.
- Você não vai se soltar. A corda que está em seus pulsos e tornozelos está presa abaixo da mesa. Os pés dela impedem que a corda passe e você se solte. Simples e eficiente.
- Porque você me amarrou? O que eu fiz pra você?
- Para mim? Absolutamente nada. Quem vai fazer sou eu.
Com um sorriso no rosto, peguei uma pequena faca e me virei para que ele visse. E cheguei bem perto dele.
- O que vai fazer com isso? Hey… o que vai fazer com isso?
- Sssssshhhhh.
Levantei a camiseta dele e devagar, lhe fiz um pequeno corte na barriga.
- AAAAAAAH, QUE ISSOOOO?! PAAAARA!!
O sangue brotou rapído e na mesma velocidade, minha boca estava no corte, sorvendo o que saía.
- SOCORRO! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE!
Júlio se debatia, mas em vão. Estava segurando ele para que minha boca não escapasse do ferimento. E tomei aquele sangue devagar. Meu Deus, como era incrível o sabor! Iria aproveitar todas as gotas que pudesse.
- Não adianta gritar. Aqui ninguém vai te escutar! - disse, com a boca manchada de vermelho. Dei a volta na mesa. Julio ainda tentou gritar mais algumas vezes.
- ALGUÉM ME AJUDE! POR FAVOR… SOCORRO, SOC...
Dei uma bofetada na cara dele. O tapa até estalou de tanta força. Ele calou a boca porque ficou zonzo com a pancada.
- Ora, mas ainda nem comecei.
Passei a faca no braço esquerdo dele, fazendo escorrer um filete de sangue. Ele gemeu baixo por conta do corte e eu lambi devagar o líquido consistente. Tão doce… em tantos anos de existência, nunca havia sentido um sabor tão único.
- Porque você está fazendo isso comigo?
Levantei a cabeça e olhei pra ele antes de responder.
- Porque eu quero. E porque eu posso.
- Seus olhos… são vermelhos… ? Quem é você? - com os olhos arregalados, Júlio tentava se afastar, e dava trancos para trás, porém sem sucesso.
- Ssssshhhhh… Sem perguntas, sim? - respondi, colocando o indicador nos lábios dele para que ficasse quieto.
Encostei a lâmina gelada na barriga de Júlio. Como reação, os pelos do seu corpo se arrepiaram. A ponta estava perigosamente abaixo da costela esquerda. Ele tremia a cada movimento meu, temendo um novo corte. Estava começando a suar frio.
Então cortei de baixo para cima. Ele até fechou os olhos, entretanto tinha cortado apenas a camiseta dele. Abri o que sobrou do tecido para ver melhor seu peito nu.
- Que maravilha! - pensei em voz alta!
Coloquei a ponta da língua no mamilo dele. Posso arriscar em dizer que se ele não estivesse na situação em que estava, estaria gostando bastante. Mas se sentiu violentado.
- Por favor… pare! - disse Júlio em voz baixa.
- Não!
- Pare… par… AHHHHH!
Rasguei o mamilo dele com uma de minhas presas. Enquanto se debatia e gritava mais uma vez, segurava-o na mesa com o peso de uma mão sem dificuldade, bebendo do sangue que escapava dali.
- Você é louca... Por quê?
Cheguei bem perto do rosto dele e sussurrei:
- Um sangue tão bom assim não deve ser desperdiçado.
Rodeei a mesa novamente, analisando com calma aquele humano. Sorria para ele, que me devolvia um olhar fulminante. Não tinha medo nem repulsa vindo dele, só raiva genuína.
- Quero ver por quanto tempo você vai manter essa expressão.
-Você é doida! Você vai...
Abri o cinto da calça dele.
- Quando eu conseguir me soltar, você vai se arrepender.
Soltei uma gargalhada sonora.
- Você não vai sair daqui. Você será meu brinquedo de honra. Vai me entreter enquanto eu não estiver precisando pensar. E quando eu me enjoar... Veremos!
- O que você é? Uma espécie de psicopata? - quis saber Júlio.
- Não, sou algo muito pior.
Com um puxão firme, arranquei as calças dele.
- Hey, que porra é essa?
- Já disse para calar a boca!
A faca cortou de novo, dessa vez na coxa dele e ele gritou mais uma vez. O sangue escapou, mas não desperdicei nenhuma gota. Coletei o que estava escorrendo com os dedos e levei à boca.
Estava totalmente inebriada com o sangue de Júlio. Meu organismo o recebeu de braços abertos e já podia sentir a absorção ocorrendo dentro de mim. Meus sentidos chegaram à amplitude máxima e era possível até mesmo ouvir o que se passava fora daquele quarto acústico. Parecia que eu estava em uma sensação de torpor, quase como quando você bebe álcool, porque realmente grandes quantidades de sangue podiam deixar alguns não-vivos em um estado maior de euforia.
Acho que essa, inclusive, era a palavra certa para me descrever naquele momento: euforia. Era o que eu estava sentindo.
Jamais teria feito o que fiz se não fosse o sangue de Júlio. Foi impulsivo e impensado. Mas tão rápido e automático que não foi possível frear.
Coloquei uma seleção de músicas para tocar enquanto brincava com ele.
A primeira da lista foi "Here I Am Rock You Like A Hurricane", da banda Scorpions. Rodopiei ao som da melodia e cada nota de guitarra que soava dizia quem era a dona de tudo ali. Júlio olhava aquela cena incrédulo. Devia achar que eu era uma louca. E era mesmo. Turbinada pelo sangue dentro de mim. Contudo, algo me dizia que ele estava curtindo me ver dançar daquele jeito.
"Here I am rock you like a hurricane (Aqui estou eu sacudindo você como um furacão)".
Balançava o quadril com sedução misteriosa e uma flexibilidade impressionante. Parecia até profissional. Talvez eu instale um pole dance aqui no quarto.
Júlio não tirou os olhos de mim por um minuto. Deles emanavam uma mistura de ódio e desejo, ao mesmo tempo.
Aqueles sentimentos me dominaram por completo e não resisti. Quando percebi, já estava em cima dele, roçando minha virilha na dele. E numa dança sangrenta e cheia de rock, transamos. No ápice da coisa, vi a jugular dele pulsando freneticamente. Não resisti e abocanhei. As presas rasgaram a carne até seu objetivo, arrancando-lhe mais um gemido de dor. Dessa vez, drenei uma quantidade considerável de sangue, fazendo o coração do humano ficar bem lento.
Ele estava tendo apenas pequenos vislumbres de consciência. Mas deve ter ouvido o que lhe sussurrei no ouvido antes de sair do quarto de brinquedos:
- Não se preocupe, vai ficar tudo bem!
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